Ufologia na Prática
Linha do tempo · em construção

Aparições em massa

Quando muita gente vê a mesma coisa ao mesmo tempo. Os casos mais conhecidos, em ordem cronológica: o que foi visto, como foi investigado, as explicações propostas e as várias leituras lado a lado.

13 casos113 fontesAtualizado em 11/10/2026
Registro documento ou mediçãoRelato testemunhoLeitura interpretação, com a tradição nomeada

19 e 20 de julho e 26 e 27 de julho de 1952 · Washington, D.C., EUA: Aeroporto Nacional de Washington, Base Aérea de Andrews e Base Aérea de Bolling

Onda de óvnis de Washington, D.C.

Testemunhas Dezenas de profissionais. Só na noite de 26 para 27/07, um relatório da Inteligência da Força Aérea para o Blue Book cita 9 controladores do centro ARTC e 2 operadores da torre. Cita também um inspetor de voo da CAA, pilotos comerciais e tripulações de F-94. Em 20/07, cinco pessoas em Andrews viram três objetos laranja-avermelhados.

Em duas noites de sábado seguidas, os radares do Aeroporto Nacional e da Base Andrews captaram alvos desconhecidos. Os alvos eram lentos e às vezes aceleravam de repente. Pilotos comerciais e militares viram luzes brancas ou alaranjadas onde o radar marcava os alvos. Um comandante da Capital Airlines as descreveu “like falling stars without tails”: subiam, desciam e pairavam.

Linha do tempo

  1. 19/07/1952, 23h40O radar do centro ARTC do Aeroporto Nacional capta alvos desconhecidos. Andrews e Bolling também registram ecos.
  2. 20/07/1952, cerca de 1hUm piloto da Capital Airlines vê seis luzes. O controlador-chefe Harry Barnes diz que elas batiam com os ecos do radar.
  3. 20/07/1952, depois das 3hChegam caças F-94. Os ecos somem quando os jatos se aproximam e voltam quando eles partem.
  4. 26/07/1952, 21h50Até 12 alvos aparecem ao mesmo tempo no radar ARTC. Às 23h, dois F-94 decolam, e um piloto vê luzes que não consegue alcançar.
  5. 29/07/1952, 16hO general John Samford faz no Pentágono a maior coletiva da Força Aérea desde a Segunda Guerra. A inversão térmica vira a explicação divulgada.

Investigação

Segundo a CIA, o pico de relatos em julho de 1952 alarmou o governo Truman. A Força Aérea sugeriu inversões térmicas, e um estudo da Administração de Aeronáutica Civil (CAA) apoiou essa ideia. A CIA formou um grupo de estudo, que levou ao Painel Robertson em janeiro de 1953. Edward Ruppelt, chefe do Blue Book, escreveu que a inversão de cada noite era fraca demais para gerar aqueles ecos. Ele registrou os dois episódios como “desconhecidos”. Samford admitiu que restavam relatos de “credible observers of relatively incredible things”.

Leituras lado a lado

LeituraCientífica

Para a Força Aérea e para a CAA, inversões térmicas geraram ecos falsos, e as luzes eram estrelas, meteoros e luzes da cidade. O astrônomo Donald Menzel e o jornalista Philip Klass, da Aviation Week, defenderam essa leitura. Klass lembrou em 2002 que o radar de 1952 não filtrava bem alvos comuns.

LeituraUfológica

O escritor Donald Keyhoe sustentou, no livro Flying Saucers from Outer Space, que a Força Aérea preferiu desmentir os discos para evitar pânico. Ruppelt contestou essa versão. O físico Bruce Maccabee citou um estudo da Força Aérea de 1969 sobre miragens para dizer que a inversão daquelas noites não bastava.

Aparece em
Project Blue Book, episódio "The Washington Merry-Go Round" (T1E10) (2019)Top Secret UFO Projects: Declassified (2021)

Fontes

6 de abril de 1966, manhã · Clayton South (Westall), Melbourne, Victoria, Austrália: Westall High School, a escola primária de Westall e o terreno vizinho chamado The Grange

Avistamento de Westall

Testemunhas Entre 100 e 300 alunos e alguns professores, segundo os Australian Skeptics (2026). The Conversation (2016) fala em mais de 100 pessoas, entre alunos, professores e moradores. A sinopse do documentário na Screen Australia cita 200 crianças. As duas escolas, secundária e primária, tiveram testemunhas.

Alunos e professores viram um ou mais objetos arredondados sobre o pátio da escola. As descrições falam em prateado ou cinza, às vezes com uma cúpula. O objeto desceu atrás das árvores do The Grange e depois subiu e partiu em alta velocidade. Testemunhas contam que cerca de cinco aviões leves o rodearam. Alunos que correram até o local relataram círculos de grama achatada.

Linha do tempo

  1. 6/04/1966, cerca de 10h20 a 11hAlunos e professores veem objeto prateado sobre o pátio da Westall High School. Ele desce atrás das árvores do The Grange.
  2. Minutos depoisO professor Andrew Greenwood e alunos relatam cerca de cinco aviões leves circulando o objeto por uns 20 minutos.
  3. 7/04/1966The Age publica “Object perhaps balloon”: um balão meteorológico lançado de Laverton às 8h30 explicaria o caso.
  4. 9/04/1966Pessoal da Força Aérea e entusiastas de óvnis visitam o campo e não relatam nada de interesse.
  5. 21/04/1966O Dandenong Journal pergunta “Who Were 5 Pilots?”. A RAAF afirma que não tinha aviões na área naquele horário.

Investigação

Em 1966, o Bureau de Meteorologia apontou um balão lançado de Laverton. A RAAF negou ter aviões na área, e o Exército disse não ter registro de pessoal no local. Nenhuma conclusão oficial foi divulgada depois. Em 2014, o pesquisador Keith Basterfield soube pelo Arquivo Nacional da Austrália que a série de arquivos do projeto HIBAL foi destruída pela Defesa em 1996.

Leituras lado a lado

LeituraCientífica

Para o cético Brian Dunning, uma biruta-alvo ou um balão meteorológico bastam para explicar o caso, e nada nele exige alienígenas. Keith Basterfield propõe o balão HIBAL voo 292, mas trata a ideia como hipótese sem prova documental.

LeituraPsicológica

Richard Saunders, dos Australian Skeptics, destaca a fragilidade da memória humana. As entrevistas sistemáticas só começaram no início dos anos 2000, e os relatos mudaram ao longo do tempo, com risco de falsa memória e de contágio entre testemunhas.

LeituraUfológica

Para o pesquisador Shane Ryan e a diretora Rosie Jones, o caso segue aberto. Segundo Basterfield, eles não aceitam a hipótese do HIBAL. O documentário Westall '66 apresenta as testemunhas como crianças “silenced by authorities”. Alunos contam que foram proibidos de falar com a imprensa.

Aparece em
Westall '66: A Suburban UFO MysteryAustralian Story (episódio dos 60 anos de Westall) (2026)The Phenomenon

Fontes

Fevereiro a abril de 1977, dentro de uma onda que durou o ano · Broad Haven, Little Haven e arredores da baía de St Bride's, Pembrokeshire, País de Gales

Triângulo de Broad Haven

Testemunhas 14 alunos de 9 a 11 anos na escola, em 04/02/1977 (Wikipedia; David Clarke, 2024); a série fala em 16. Na região, mais de 450 relatos em 1977, número citado pelo diretor Yon Motskin (wales.com, 2023) e no episódio (What to Watch).

Alunos da escola primária relataram um objeto prateado em forma de charuto no campo atrás da escola; alguns falaram de um homem prateado de orelhas pontudas. Em abril, a dona de um hotel em Little Haven descreveu um “upside-down saucer” no campo vizinho e duas figuras humanoides sem rosto. Uma família de fazenda relatou uma figura alta de traje espacial na janela e um objeto em chamas perseguindo seu carro.

Linha do tempo

  1. 04/02/197714 alunos da Broad Haven Primary School relatam objeto prateado em forma de charuto atrás da escola. O diretor pede desenhos, que saem parecidos.
  2. 17/02/1977Professores e outras testemunhas dizem ter visto o mesmo objeto, segundo a Wikipedia.
  3. 19/04/1977, de madrugadaA dona do Haven Fort Hotel, em Little Haven, relata objeto no campo vizinho e duas figuras humanoides. Depois escreve ao seu deputado.
  4. 23/04/1977Família da fazenda Ripperston relata uma figura de cerca de 2,1 metros, em traje espacial, na janela.
  5. 1996Glyn Edwards, do Round Table de Milford Haven, confessa ao Western Mail que andou pela região com traje prateado em 1977, como trote.

Investigação

Acionado pelo deputado da dona do hotel, o Ministério da Defesa mandou o tenente aviador Cowan, da RAF Brawdy, que não achou sinal de pouso e citou a hipótese de um “local prankster” (BBC, 2007). Cowan disse depois que os seres descritos lembravam os trajes antifogo das refinarias de Milford Haven; os papéis foram liberados no Arquivo Nacional britânico, em Kew. Pela associação ufológica BUFORA, investigou o veterinário aposentado Randall Jones Pugh (David Clarke).

Leituras lado a lado

LeituraCientífica

O pesquisador David Clarke, que estuda a história social dos OVNIs, documenta trote comprovado na região e a suspeita da polícia da RAF de um brincalhão. Mesmo assim, disse à BBC em 2007 que o relato da dona do hotel, coerente por 30 anos, indica que ela viu algo incomum.

LeituraUfológica

O autor Peter Paget, de The Welsh Triangle, defendia uma base alienígena sob as rochas de Stack Rocks, onde OVNIs teriam pairado e sumido (David Clarke). Na série, o astrofísico Kevin Knuth, ex-cientista da NASA, cita casos documentados de OVNIs saindo da água desde o século 19.

LeituraFolclórica

A divulgação da Netflix liga o caso ao folclore galês, no qual as fadas são trapaceiras de intenção sinistra (citado pelo What to Watch).

Aparece em
Encounters (Encontros Extraterrestres), episódio 3: The Broad Haven Triangle (Triângulo de Broad Haven)Documentário de rádio de Ray Gosling sobre a onda do oeste do País de Gales (título não confirmado) (1996)

Fontes

1977 a 1978 (missões da FAB de outubro a dezembro de 1977) · Colares, Vigia, Santo Antônio do Tauá e outras localidades do nordeste do Pará, Brasil; relatos também no Maranhão

Operação Prato e a onda do chupa-chupa

Testemunhas Centenas de relatos. Os registros da FAB no Arquivo Nacional reúnem 130 observações selecionadas, e um resumo cronológico chega a 284 (O Antagonista, Wikipédia). A Wikipédia cita depoimentos de 39 pessoas em Colares, Tauá e Vigia. Ufólogos falam em 400 pessoas atingidas, número sem confirmação oficial (Wikipédia em inglês).

Moradores relataram luzes sobre rios, praias e mata, quase sempre à noite. Os registros da FAB descrevem "corpo luminoso" amarelo que mudava para vermelho, movimento em zigue-zague e foco de luz azulada dirigido ao observador. Muitos disseram sentir calor, dormência, tremores e fraqueza, e mostraram pequenas marcas na pele após a aproximação das luzes. Famílias passaram a fazer vigílias noturnas.

Linha do tempo

  1. 30/07/1977O Jornal de Brasília relata objeto luminoso causando medo na Baixada Maranhense. O coordenador de segurança do Maranhão estima que metade da população o viu.
  2. 02/09/1977Primeiro registro da FAB: corpo luminoso amarelo que muda para vermelho, em zigue-zague, sobre rodovia em Santo Antônio do Tauá (PA).
  3. 20/10 a 05/12/1977A FAB faz duas missões na região, com base em Colares, sob o capitão Uyrangê Hollanda. Colhe depoimentos, fotos e filmes.
  4. 1997Hollanda dá entrevista aos ufólogos Ademar Gevaerd e Marco Antônio Petit e conta o que ele e a equipe viram.
  5. 23/04/2009O Centro de Documentação da Aeronáutica envia ao Arquivo Nacional os primeiros documentos da operação.

Investigação

Equipes do I Comando Aéreo Regional, chefiadas pelo capitão Uyrangê Hollanda, ouviram moradores, fotografaram e filmaram luzes e montaram o relatório "Registros de Observações de OVNI", com 130 registros (Arquivo Nacional). O psiquiatra da Aeronáutica Pedro Ernesto Póvoa concluiu por "histeria coletiva", e um informe do SNI atribuiu a tensão ao misticismo regional (O Liberal, Wikipédia). A missão terminou sem uma explicação pública que abarcasse todos os casos (O Antagonista).

Leituras lado a lado

LeituraCientífica

A leitura científica destaca que médicos militares atribuíram os sintomas examinados a uma descarga adrenérgica, reação fisiológica ao medo, e que ao menos uma foto marcante foi identificada como Vênus. Parte dos registros do resumo cronológico foi depois associada a satélites e outras fontes, segundo O Antagonista.

LeituraPsicológica

O psiquiatra Pedro Ernesto Póvoa, tenente da Aeronáutica, conversou com pessoas atingidas em Santo Antônio de Ubintuba e concluiu por "histeria coletiva". O relatório médico militar fala em reações normais do organismo causadas pelo medo do desconhecido.

LeituraUfológica

O ufólogo Jacques Vallée relatou mortes atribuídas às luzes e disse que os ferimentos eram compatíveis com efeitos de radiação de micro-ondas. Em 1997, Hollanda contou que ele e um sargento viram um objeto gigantesco, com forma de bola de futebol americano, pairando sobre o rio Guajará-Mirim.

LeituraFolclórica

Os pesquisadores Phillippe Sendas Fernandes e Marialva Barbosa (UFRJ, 2016) situam o chupa-chupa num imaginário amazônico que convive com Matinta Perera, Boiúna e Mapinguari. Pela história oral, mostram como imprensa e memória moldaram o caso em Colares.

Aparece em
Eles Estão Aqui (áudio drama de ficção inspirado no caso) (2023)

Fontes

1982 a 1986, com pico em 1983 e 1984 · Vale do Hudson, Nova York (condados de Westchester, Putnam e Dutchess) e oeste de Connecticut, EUA

Bumerangue do Hudson Valley

Testemunhas De centenas a milhares, conforme a fonte. Cerca de 900 pessoas preencheram formulários para os autores de Night Siege. Plane & Pilot e The Examiner News falam em milhares de relatos. Em 24/03/1983, uma linha do CUFOS teria recebido cerca de 300 ligações.

Moradores relataram um objeto enorme, em V, bumerangue ou círculo, do tamanho de um campo de futebol americano. Ele vinha contornado por luzes brancas, vermelhas e verdes. Muitos disseram que era silencioso, andava devagar e às vezes pairava. Alguns viram um feixe de luz branca apontado para baixo, e outros viram o objeto subir de repente.

Linha do tempo

  1. 31/12/1982Um policial aposentado de Nova York relata um objeto enorme em forma de V pairando perto de casa. Night Siege marca aí o começo da onda.
  2. 24/03/1983Noite de pico em Westchester. Segundo Night Siege, uma linha do CUFOS registra cerca de 300 ligações de testemunhas.
  3. 14/06 e 24/07/1984Guardas da usina nuclear de Indian Point teriam visto o objeto. A Comissão Reguladora Nuclear diz não ter registro oficial.
  4. 25/08/1984The New York Times relata que a Polícia Estadual seguiu as luzes até o aeroporto de Stormville e encontrou aviões leves em formação.
  5. 1987Sai o livro Night Siege, de J. Allen Hynek, Philip Imbrogno e Bob Pratt, com cerca de 900 formulários de testemunhas.

Investigação

Um policial da Tropa K da Polícia Estadual seguiu as luzes até o aeroporto de Stormville. O sargento Kenneth Spiro resumiu: “It was a group of light planes. They fly in formation.” A revista Discover (1984) descreveu pilotos amadores voando à noite com 15 cm entre as asas. Pesquisadores ligados a Hynek analisaram os formulários por dois anos e concluíram que não havia explicação convencional.

Leituras lado a lado

LeituraCientífica

Para a Polícia Estadual, para a Discover (1984) e para o cético Brian Dunning (Skeptoid, 2017), eram aviões monomotores em formação apertada. As luzes branca, vermelha e verde são as cores normais de navegação e podiam ser apagadas em conjunto. Dunning nota que o objeto só aparecia onde e quando esses pilotos voavam.

LeituraPsicológica

Brian Dunning atribui o mistério a erros de percepção humana e ao viés de confirmação, que teriam transformado formações de aviões num único objeto gigante na memória das testemunhas.

LeituraUfológica

Em Night Siege (1987), Hynek, Imbrogno e Pratt concluíram que não havia “no conventional explanation for the Hudson Valley UFO”. Muitas testemunhas disseram sentir que uma inteligência por trás do objeto tentava se comunicar. Hynek chamou a onda de “a real mystery”.

Aparece em
Unsolved Mysteries (temporada 5, episódio 1) (1992)UFO File: The Hudson Valley UFO Sightings (2000)In the Night Sky: I Recall a UFO (2013)

Fontes

19 de maio de 1986 · São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás, Brasil

Noite Oficial dos OVNIs

Testemunhas Dezenas de civis e militares, segundo o Olhar Digital. A Folhapress cita cerca de 2.000 militares, entre cadetes e oficiais, em Guaratinguetá (SP). O relatório do COMDA registra relatos de controladores, de um piloto civil e de pilotos de caça.

Controladores e pilotos relataram luzes que mudavam de cor, com predomínio do vermelho, além de amarelo, verde, laranja e branco. Radares registraram ecos sem identificação perto de São José dos Campos e de Anápolis. Segundo o relatório do COMDA, os alvos ora pairavam, ora aceleravam até velocidade supersônica, às vezes sem nenhuma luz visível. Em parte das interceptações houve contato de radar sem contato visual.

Linha do tempo

  1. 19/05/1986, por volta das 20h15A torre de São José dos Campos vê luzes vermelhas que mudam para amarelo, verde e laranja. São Paulo confirma contatos no radar.
  2. 19/05/1986, 21h08O Xingu PT-MBZ, com o coronel Ozires Silva, vê luzes que pareciam estrelas grandes e vermelhas e não consegue se aproximar delas.
  3. 19/05/1986, das 22h34 às 23h36Decolam dois caças de Santa Cruz e três de Anápolis. O radar mostra treze ecos atrás de um dos caças, sem contato visual.
  4. 23/05/1986O ministro da Aeronáutica, Octávio Moreira Lima, dá entrevista coletiva com os pilotos e diz que não há explicação técnica.
  5. 25/09/2009Relatório do COMDA, de 2 de junho de 1986, é divulgado. Desde 2015, documentos e mais de dez áudios estão no Arquivo Nacional.

Investigação

O Comando Aéreo de Defesa Aérea (COMDA) registrou a cronologia da noite e concluiu que os fenômenos "são sólidos e refletem de certa forma inteligência" (relatório de 2/6/1986, Arquivo Nacional). O mesmo documento admite que os radares eram de controle de tráfego, não de defesa aérea, o que prejudicou o acompanhamento dos alvos. Na coletiva de 23/5/1986, o ministro Moreira Lima disse que só podia dar informações técnicas e que não havia explicação (gov.br).

Leituras lado a lado

LeituraCientífica

A leitura científica parte das limitações do registro: o próprio COMDA admitiu radares feitos para tráfego aéreo e ecos fracos. Céticos citados por Patrick Gross propuseram detritos espaciais, meteoros, raios globulares e falha de radar. Nenhuma dessas hipóteses foi confirmada oficialmente.

LeituraUfológica

O ufólogo Jackson Luiz Camargo chama o caso de um dos mais importantes da ufologia mundial. Para o ufólogo Renato Mota, os documentos liberados pela própria FAB mostram "uma ocorrência aérea real e anômala", com objetos detectados visualmente e por radar.

Aparece em
Fantástico: Gravações revelam perseguição de óvnis pela Aeronáutica brasileira (2016)Só no Brasil, episódio Noite Oficial dos Óvnis (2024)

Fontes

29/11/1989 a abril de 1990, com relatos até 1991 segundo algumas fontes · Bélgica: região de Eupen, Brabante Valão (Ramillies, Gembloux, Beauvechain) e Valônia

Onda belga de OVNIs

Testemunhas 143 pessoas disseram ter visto o objeto na largada em Eupen (Wikipedia); a RTBF fala em perto de 200 civis. A SOBEPS reuniu cerca de 2.600 relatos escritos (Skeptoid; Wikipedia). O número de 13.500 testemunhas circula, mas Brian Dunning o contesta.

Gendarmes e civis relataram objetos triangulares ou três luzes nos vértices de um triângulo, mais intensas que estrelas e mudando de cor entre vermelho, verde e amarelo. Na noite de 30 para 31/03/1990, radares em terra registraram contatos e dois caças F-16 tentaram interceptá-los. Os pilotos nunca viram nada.

Linha do tempo

  1. 29/11/1989Na região de Eupen, patrulhas de gendarmes observam luzes por muito tempo, em pontos diferentes; perto de 200 civis fazem relatos.
  2. Dezembro de 1989 a março de 1990Os relatos continuam, mas os radares da Força Aérea não confirmam nenhum até 30 de março.
  3. 30/03/1990, 23hGendarme em Ramillies relata três luzes em triângulo, mudando de cor; os radares de Glons e Semmerzake registram contato.
  4. 31/03/1990, 00h05 a 01h02Dois F-16 decolam de Beauvechain: nove tentativas de interceptação, três travamentos de radar de poucos segundos, nenhum contato visual.
  5. 26/07/2011O autor da famosa foto de Petit-Rechain, feita em 04/04/1990, admite na RTL-TVI que era uma maquete de isopor com luzes.

Investigação

A Força Aérea Belga fez um relatório sobre a noite de 30 para 31/03/1990, assinado pelo major Lambrechts: descartou aviões furtivos B-2 e F-117, drones, ultraleves e AWACS e disse não ter explicação para velocidades supersônicas sem estrondo. A Força Aérea cooperou com a SOBEPS, com aval do Ministério da Defesa. Autoridades americanas confirmaram que nenhum avião furtivo da USAF voava na área (Wikipedia).

Leituras lado a lado

LeituraCientífica

Brian Dunning (Skeptoid) sustenta que a mídia preparou o público para ver OVNIs em coisas comuns e que relatos e números foram inflados. Ele observa que, se 13.500 pessoas tivessem visto algo, haveria mais de uma foto, e conclui que não encontra motivo convincente para suspeitar de algo desconhecido.

LeituraPsicológica

Marc Hallet (1992) viu a onda como um delírio coletivo impulsionado pelos apelos da SOBEPS à imprensa. Jean-Michel Abrassart avaliou que o início da onda não contradiz a hipótese psicossocial, em que a cobertura da mídia leva as pessoas a reinterpretar objetos comuns.

LeituraUfológica

A SOBEPS, associação de estudos que liderou a apuração com Lucien Clerebaut e Michel Bougard, tratou a onda como sem explicação e defendeu a foto de Petit-Rechain por 20 anos. O físico Auguste Meessen sustentou, em 2011, que a onda continuava inexplicada.

Aparece em
The Mysterious Case of the Belgian Triangle (em francês: Ovnis, le mystère belge), de Bram Conjaerts e Maarten Bernaerts (2025)

Fontes

16/09/1994, por volta das 10h · Ariel School, perto de Ruwa, a sudeste de Harare, Zimbábue

Escola Ariel

Testemunhas 62 alunos de 6 a 12 anos (Wikipedia; Mail & Guardian, 2014). O Skeptoid fala em cerca de 62 de uns 250 alunos. A Netflix diz “mais de 60 crianças”.

No recreio da manhã, alunos relataram um ou mais objetos prateados, em forma de disco, descendo e pousando no mato além do campo da escola. Alguns descreveram de um a quatro seres pequenos, de roupa preta brilhante e olhos grandes. O episódio teria durado cerca de 15 minutos. Meses depois, parte das crianças falou de uma mensagem sobre o cuidado com o planeta.

Linha do tempo

  1. 14/09/1994, à noiteUma bola de fogo cruza o céu do sul da África. O Skeptoid a atribui à reentrada do foguete do lançamento Cosmos 2290.
  2. 16/09/1994, cerca de 10hNo recreio, 62 alunos relatam objetos prateados pousando no mato e seres de roupa preta. O relato dura cerca de 15 minutos.
  3. 19/09/1994Tim Leach, correspondente da BBC no Zimbábue, filma entrevistas com alunos e funcionários da escola.
  4. 20/09/1994A pesquisadora Cynthia Hind entrevista crianças e pede que desenhem o que viram.
  5. Novembro de 1994O psiquiatra John Mack, de Harvard, entrevista alunos. Surgem com força os relatos de uma mensagem ambiental recebida por telepatia.

Investigação

Não há registro de investigação oficial do governo nas fontes consultadas. A BBC filmou entrevistas em 19/09 e Cynthia Hind ouviu crianças e recolheu desenhos em 20/09 (Wikipedia; Mail & Guardian). Em novembro, John Mack entrevistou alunos e tratou as experiências como genuínas; críticos apontam que ele chegou meses depois e pode ter induzido respostas (Mail & Guardian; IFLScience; Skeptoid).

Leituras lado a lado

LeituraCientífica

Para Brian Dunning (Skeptoid), o que aconteceu de fato ficou soterrado por um frenesi nacional de OVNIs depois da bola de fogo de 14/09. Ele critica a coleta tardia e em grupo dos depoimentos e conclui que o caso fica aquém de servir como evidência de visita alienígena.

LeituraPsicológica

James Felton (IFLScience, 2023) cita uma equipe médica que estudou casos de histeria coletiva na África. Ele lembra que John Mack chegou meses depois, quando as crianças já tinham consolidado as histórias, e que pode tê-las levado, talvez sem querer, a lembrar de mensagens telepáticas.

LeituraPsicológica

O psiquiatra John Mack, de Harvard, tratou as experiências das crianças como genuínas. Convenceu pais e professores de que, mesmo sem acreditar nelas, acusá-las de mentir seria contraproducente. Em suas entrevistas, os alunos relataram alertas dos seres sobre o mal que a humanidade faz à Terra.

LeituraUfológica

A pesquisadora Cynthia Hind, que publicava o boletim UFO Afrinews, achou convincente a coerência dos detalhes entre as crianças e criticou quem se recusa a abrir a mente diante do que não entende. Um texto de 1995 publicado pelo instituto de John Mack chama o caso de um dos mais significativos da história recente dos OVNIs.

LeituraFolclórica

Segundo o Mail & Guardian, algumas crianças negras entenderam os seres pequenos como zvikwambo, ou tokoloshes, os duendes malignos do folclore xona e ndebele.

Fontes

20 de janeiro de 1996 · Varginha, Minas Gerais, Brasil

Caso Varginha (ET de Varginha)

Testemunhas Três jovens deram o primeiro relato, segundo a Wikipédia e o Estado de Minas. Um casal de fazendeiros relatou um óvni naquele mês. O cineasta James Fox diz ter entrevistado dezenas de testemunhas (SBT News).

As jovens relataram um ser bípede agachado junto a um muro, com cabeça grande, pele marrom com manchas como veias, três saliências na cabeça e olhos vermelhos, segundo a Wikipédia. Outros moradores falaram em óvnis nos dias anteriores e em movimentação de militares e bombeiros. Ufólogos alegaram depois a captura de criaturas e o transporte delas para Campinas, o que o IPM negou.

Linha do tempo

  1. Janeiro de 1996, de madrugadaUm casal diz ter visto um óvni pairando sobre o pasto de sua fazenda em Varginha.
  2. 20/01/1996, por volta das 15h30Sob chuva forte, três jovens relatam uma criatura agachada junto a um muro, num terreno baldio do Jardim Andere.
  3. 25 e 26/01/1996Segundo o IPM, caminhões do Exército circulam pela cidade para manutenção em concessionária, rotina sem relação com captura.
  4. 18/06 a 04/07/1997O Ministério Público Militar pede o arquivamento do IPM nº 18/97, aberto para apurar o livro Incidente em Varginha. A juíza arquiva.
  5. Janeiro de 2026O Superior Tribunal Militar libera o acesso digital a dois volumes do IPM, com cerca de 600 páginas.

Investigação

A Escola de Sargentos das Armas abriu sindicância e depois o IPM nº 18/97, que concluiu que nenhum órgão militar participou de captura e que as jovens provavelmente viram um morador da cidade com deficiência intelectual (Migalhas, Wikipédia). O promotor Antonio Antero dos Santos pediu o arquivamento em 18/6/1997, dizendo que tudo "não passou de mera rotina de trabalho" com caminhões em manutenção. O caso foi arquivado em 4/7/1997.

Leituras lado a lado

LeituraCientífica

O divulgador cético Brian Dunning, do Skeptoid, vê Varginha como o exemplo mais forte de um caso em que nada incomum aconteceu e que foi ampliado até virar suposta prova de visita alienígena. A versão oficial cruzou escalas, itinerários de viaturas e o registro de granizo naquele dia.

LeituraUfológica

Para o ufólogo Vitório Pacaccini, coautor do livro Incidente em Varginha, a tese do morador confundido não explica relatos de pele viscosa e cheiro de amônia. O cineasta James Fox, de Moment of Contact, afirma que "foram capturados pelo menos dois seres extraterrestres".

LeituraFolclórica

O pesquisador Mario Ribeiro Duarte (Unincor, 2009) lê o ET de Varginha como uma "narrativa mitológica pós-moderna", que ajudou a transformar a economia e a cultura da cidade. A apropriação aparece no turismo: caixa d'água em forma de nave e o Memorial do ET, inaugurado em 2022.

Fontes

13/03/1997, entre cerca de 19h30 e 22h30 (horário do Arizona) · Arizona, EUA: da divisa com Nevada, passando por Phoenix, até perto de Tucson

Luzes de Phoenix

Testemunhas Centenas, segundo a CNN em junho de 1997; “hundreds if not thousands”, para Robert Sheaffer (Skeptical Inquirer, 2016). A médica e testemunha Lynne Kitei fala em milhares (Phoenix Magazine, 2017).

Por volta das 20h30, uma formação de luzes em V cruzou o estado de norte a sul e passou sobre Phoenix; uma família descreveu à CNN uma nave gigante em V passando em silêncio sobre a casa. Por volta das 22h, uma fileira de luzes brilhantes pareceu pairar ou cair devagar a sudoeste de Phoenix e sumiu aos poucos.

Linha do tempo

  1. 13/03/1997, cerca de 20h30Formação de luzes em V cruza o Arizona de norte a sul e passa sobre Phoenix.
  2. 13/03/1997, cerca de 22hFileira de luzes brilhantes parece pairar ou cair devagar a sudoeste de Phoenix e some aos poucos.
  3. Dias depoisO jornal Tucson Weekly revela que caças A-10 da Guarda Aérea de Maryland soltaram sinalizadores no campo de tiro naquela noite.
  4. 1997Pouco depois, o governador Fife Symington faz coletiva e apresenta um assessor fantasiado de alienígena, em tom de piada.
  5. Março de 2007Symington diz ter visto naquela noite uma nave enorme, maior que qualquer coisa que já vira, e a chama de “otherworldly”.

Investigação

A vereadora Frances Barwood recebeu centenas de ligações depois de levar o caso à Câmara de Phoenix (FOX 10). A capitã Eileen Bienz, da Guarda Nacional do Arizona, apurou que sinalizadores foram soltos às 22h sobre um campo de tiro a 30 milhas de Phoenix, a 15 mil pés, e o radar da Base Luke não viu nada incomum na formação em V (Phoenix New Times). Em 2007, a NBC registrou que investigadores militares atribuíram os avistamentos a sinalizadores de treino.

Leituras lado a lado

LeituraCientífica

Robert Sheaffer (Skeptical Inquirer) vê dois episódios sem relação, ambos ligados a aviões militares, e lembra que o único vídeo da formação mostra luzes se movendo umas em relação às outras, e não um objeto sólido. O astrônomo James McGaha disse à NBC que eram aviões em formação, seguidos de sinalizadores.

LeituraUfológica

A médica Lynne Kitei, que fotografou as luzes, escreveu Phoenix Lights: A Skeptic's Discovery That We Are Not Alone e trata o caso como um dos eventos de OVNI em massa mais testemunhados e documentados da era moderna. Ela relata ter visto formações parecidas em 1995 e em janeiro de 1997.

Aparece em
The Phoenix Lights... We Are Not Alone, documentário com produção executiva de Lynne D. Kitei (2005)The Phoenix Incident (ficção) (2015)Phoenix Forgotten (ficção) (2017)

Fontes

7 de novembro de 2006, fim da tarde · Aeroporto Internacional O'Hare, Chicago, Illinois, EUA: sobre o portão C17 do Concourse C (United Airlines)

Disco do aeroporto O'Hare

Testemunhas Até 12 funcionários da United, entre pilotos, mecânicos, supervisores e pessoal de rampa, segundo a NPR e o Chicago Tribune. A NARCAP tabelou 8 testemunhas da companhia, e o primeiro mecânico estimou que de 10 a 15 pessoas viram o objeto. Houve também relatos de fora do aeroporto. Os controladores não viram nada.

Funcionários da United viram um disco cinza escuro, bem definido, sem luzes e silencioso. Ele pairava abaixo da camada de nuvens, sobre o portão C17. Alguns disseram que ele girava rápido. Depois de alguns minutos, subiu de forma abrupta através das nuvens e deixou um buraco de céu aberto que durou alguns minutos.

Linha do tempo

  1. 7/11/2006, cerca de 16h15Mecânicos e pessoal de rampa da United veem um disco cinza, sem luzes, pairando abaixo das nuvens sobre o portão C17.
  2. Cerca de 16h30Uma supervisora da United liga para a torre da FAA: “Hey, did you see a flying disc out by C17?”. Os controladores não viram nada.
  3. Entre 16h18 e 16h33O objeto sobe em ângulo íngreme pela base das nuvens, a cerca de 1.900 pés, e deixa um buraco redondo.
  4. 1/01/2007O Chicago Tribune publica a reportagem de Jon Hilkevitch. Depois de um pedido via Lei de Acesso à Informação, a FAA confirma a ligação para a torre.
  5. 9/03/2007A NARCAP divulga relatório técnico de Richard Haines e equipe. Conclusão: o objeto segue não identificado e representa risco potencial à aviação.

Investigação

A FAA não abriu investigação. Uma checagem preliminar de radar nada encontrou, e a porta-voz Elizabeth Isham Cory disse: “Our theory on this is that it was a weather phenomenon.” A FAA e a United de início negaram ter informações, até o pedido do Tribune pela Lei de Acesso. A NARCAP confirmou com dados da FAA que o radar primário nada registrou e concluiu: “The identity of the UAP remains unknown.”

Leituras lado a lado

LeituraCientífica

A FAA tratou o caso como fenômeno meteorológico. O astrônomo Mark Hammergren sugeriu um buraco de nuvem do tipo hole-punch, e o meteorologista Mike Moss achou essa hipótese improvável pelos dados do dia. James Oberg, analista da NBC e cético, disse que relatos assim têm valor de evidência zero.

LeituraPsicológica

Brian Dunning (Skeptoid, 2024) aponta a conformidade de memória entre as testemunhas como fator. A Wikipedia registra que pelo menos quatro relatos divergem em forma, altura, movimento, horário e até no número de objetos.

LeituraUfológica

Para a NARCAP (Richard Haines e equipe), um objeto aparentemente sólido pairou ao menos dez minutos sem aparecer no radar nem ser visto da torre, o que seria uma ameaça potencial aos voos. Peter Davenport, do NUFORC, o chamou de “one of the most dramatic cases of the year 2006”.

Tipos de fenômeno
Aparece em
UFO Hunters, episódio "Aliens at the Airport" (2009)UFO (série documental de J.J. Abrams), episódio 1 (2021)

Fontes

8 de janeiro de 2008 · Stephenville, Dublin e arredores, condado de Erath, Texas, EUA

Luzes de Stephenville

Testemunhas Dezenas de moradores, segundo a NPR e o Skeptoid. O MUFON reuniu 17 relatos sobre o dia 8 (relatório de Schulze e Powell). O Austin Chronicle falou em pelo menos 50 relatos compilados pelo MUFON.

Moradores relataram luzes brancas muito brilhantes, primeiro em arco e depois em linhas verticais, que pairavam e se moviam em alta velocidade, sem ruído. O piloto privado Steve Allen estimou o conjunto em cerca de 1,6 km de comprimento por 800 m de largura. Uma testemunha disse que a linha de luz se dividiu em duas, e logo depois passaram caças em baixa altitude. O policial local Lee Roy Gaitan descreveu um orbe vermelho alaranjado.

Linha do tempo

  1. 08/01/2008, pouco depois das 18hMoradores relatam luzes brancas muito fortes, em arco e depois em linhas, e caças passando em baixa altitude.
  2. 08/01/2008, 18h17 a 18h58Segundo a FAA, oito caças F-16 do 457º Esquadrão de Caça operam na área militar de Brownwood, perto da cidade.
  3. 19/01/2008O MUFON começa a investigação em Dublin, Texas, e reúne 17 relatos sobre o dia 8.
  4. 23/01/2008Depois de negar voos na área, a Força Aérea admite que dez F-16 treinavam ali e atribui a negativa a erro de comunicação.
  5. 29/09/2023O caso abre a série Encounters, da Netflix, no episódio Messengers.

Investigação

A Força Aérea primeiro negou aviões na área e sugeriu ilusão de ótica; em 23/1/2008 admitiu dez F-16 em treino (NPR, The Black Vault). O MUFON, liderado no Texas por Ken Cherry, colheu relatos, e Robert Powell e Glen Schulze obtiveram via FOIA 2,8 milhões de retornos de radar da FAA. O relatório deles aponta um objeto sem transponder rumo ao rancho de George W. Bush em Crawford.

Leituras lado a lado

LeituraCientífica

Para Brian Dunning (Skeptoid, 2024), tudo no caso tem explicação prosaica: F-16, sinalizadores e pós-combustores explicam os relatos, e a negativa inicial da Força Aérea foi erro de fuso horário. Ele diz que o MUFON selecionou 187 pontos de radar em milhões de ruídos.

LeituraUfológica

Robert Powell e Glen Schulze, do MUFON, afirmam que dados de radar da FAA confirmam parte dos relatos. Descrevem um objeto sem transponder, às vezes parado, que teria acelerado de forma brusca e seguido rumo ao rancho presidencial em Crawford. Para eles, aviões comerciais ou militares não explicam os relatos.

Fontes

Março de 2011 em diante · Litoral de Fukushima, Japão: usina Fukushima Daiichi, em Okuma, e o templo Enmyoin, em Minamisoma

Luzes sobre Fukushima

Testemunhas Sem contagem pública. A Netflix fala em sobreviventes, e o material de divulgação da série, em muitos moradores (The Writing Studio, 2023).

Depois do desastre nuclear de março de 2011, sobreviventes relataram luzes brilhantes, descritas como bolas de luz, sobre os reatores de Fukushima Daiichi. Um monge budista de um templo da costa diz ter visto um “undeniable UFO” pouco antes do terremoto. Vídeos que circularam em 2011 mostram objetos brancos sobre a usina, sem autoria clara.

Linha do tempo

  1. 11/03/2011Terremoto e tsunami atingem a costa e começa o acidente nuclear na usina Fukushima Daiichi, em Okuma.
  2. 2011, pouco antes do terremotoO monge Tomonori Izumi, do templo Enmyoin, diz ter visto um OVNI na praça do templo, segundo a divulgação da série.
  3. 26/03/2011Vídeo atribuído a esse dia mostra objetos brancos sobre a usina. O autor não é identificado e o vídeo passa de 200 mil visualizações.
  4. Abril de 2011A Korea Times noticia vídeo de 50 segundos, divulgado por uma emissora alemã, com um objeto branco e achatado passando devagar sobre a usina.
  5. 27/09/2023A Netflix lança o episódio Luzes sobre Fukushima, com relatos de sobreviventes sobre as luzes vistas acima da usina.

Investigação

Não encontramos registro público de investigação oficial japonesa sobre as luzes. Em 2011, a Korea Times registrou que observadores viam como incerto tratar-se de OVNI, porque o vídeo foi feito de longe. Em Iino, na mesma província, um laboratório de pesquisa de OVNIs aberto em junho de 2020 tem como meta reunir vídeos e fotos (VICE, 2022).

Leituras lado a lado

LeituraCientífica

Segundo o USGS, geofísicos divergem sobre as luzes de terremoto: alguns duvidam de que qualquer relato seja evidência sólida, outros acham que parte deles corresponde a um fenômeno real. Há explicações físicas para alguns tipos, e certos casos se revelaram arcos de linhas elétricas.

LeituraUfológica

A divulgação da série registra que muitos veem nas luzes uma inteligência alienígena que se importa conosco e quer restaurar o equilíbrio do mundo. Na mesma província, Iino cultiva a cultura dos OVNIs há décadas, com museu desde 1992 e boatos de base alienígena no monte Senganmori (VICE).

LeituraFolclórica

A própria divulgação da série pergunta se as bolas de fogo seriam hitodama. No folclore japonês, hitodama são bolas de fogo que flutuam à noite e seriam almas de mortos separadas do corpo.

LeituraEspiritualista

O monge Tomonori Izumi, chefe do templo Enmyoin e testemunha no episódio, já apresentava o templo como milagroso: a 500 metros do mar, escapou do tsunami. Seu livro de 2019 traz fotos de uma luz que ele trata como milagrosa, no santuário interno (editora Kadokawa).

Fontes

Você estava lá?

Se você viu algum desses casos, ou viveu algo parecido com outras pessoas, conte. Relatos de quem estava presente ajudam a entender o que aconteceu.

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